Dava-se o dia 27 de Setembro quando a gigante Netflix introduziu a sua nova aposta para 2023 – “Berlín”. Um spin-off da aclamada “La Casa de Papel”, com título homónimo ao da personagem principal, que se focará na personagem Berlín de Pedro Alonso, e que ganhou uma notoriedade inesperada na produção espanhola.
Em Madrid, no mesmo mês, decorreu uma conferência de imprensa onde as novas personagens e o argumento da série foram discutidos e apresentados aos presentes, enquanto a série se preparava para entrar em processo de produção. A dia 7 de Fevereiro, a plataforma Netflix anunciou que “Berlín” terá a sua estreia em Dezembro de 2023 e contará com oito episódios na sua 1ª temporada.
Mas antes de entrarmos em pormenores… Quem é “Berlín”?
De “La Casa de Papel” a “Berlín”: Andrés de Fonollosa
A série “La Casa de Papel” foi um fenómeno televisivo, não só para a Netflix, mas para as produções de língua espanhola. Introduzida no catálogo da gigante após ter sido cancelada pelo canal original em Espanha (Antena 3), não tardou até ganhar alavancagem e relevância para os subscritores da plataforma de streaming.
Depressa se tornou uma produção de culto, apaixonante e um tanto ou quanto insana. “La Casa de Papel” contou a história de um bando de loucos preparados para assaltar a Casa da Moeda, em Espanha, motivados pela luta anti-capitalista e pelo desejo de serem independentes (e ricos). Todos tinham o seu cognome, herdado de uma cidade, excepto o génio por detrás do plano louco: El Profesor. Tokyo, Marselha, Lisboa, Rio, Denver – estas foram algumas das “cidades” que conquistaram o público.
Berlín foi, talvez, a mais marcante. Por detrás do cognome desta cidade alemã está a personagem Andrés de Fonollosa – um hedonista apaixonado pela arte de roubar, um sociopata sem medo de morrer, que no fundo só queria ser feliz ao lado do irmão a cometer loucuras por amor.
Ninguém percebeu muito bem como é que Berlín se tornou um marco: se foi pela sua loucura, se pelo sacrifício que fez no final de uma perfeita temporada, se pela forma como Pedro Alonso se comprometeu a entregar a eternidade a uma personagem que devia ter sido efémera.
O certo é que o público não conseguia viver sem Berlín e, em vislumbres ao passado, Andrés de Fonollosa foi continuando a estar presente e a fazer parte da história do bando, mesmo que fisicamente não estivesse com eles. Assim, claro, é quase previsível que se um spin-off fosse feito de “La Casa de Papel”, seria inspirado nas aventuras desta icónica e vibrante personagem.
Uma história de amor e roubos
Mas o que será tão interessante que leve a Netflix a querer apostar numa história sobre Berlín? Segundo Álex Pina, o criador da série “La Casa de Papel” (que será também o criador de “Berlín”), a série é um manual de «amor e roubos», que, claro, se irá passar anos antes do assalto à Casa da Moeda.
«Cada vez que te vejo tenho a sensação que a minha vida começa de novo», diz Pedro Alonso a Álex Pina, e é assim que começa a conversa entre os dois titãs da televisão espanhola. Em jeito de guião simulado para as câmaras com o actor, em troca de palavras um com o outro, é Pina que dá o mote para o fio-condutor da série: «é uma viagem pela ‘época dourada’ da personagem, quando roubava pela Europa perdidamente apaixonado.»
A fórmula é a mesma: Vancouver Producciones, que foi responsável pelo sucesso de “La Casa de Papel”, será a produtora responsável por criar este spin-off, com Álex Pina ao comando. Entre risos e bem estar, falam de como “Berlín” será um misto de hedonismo, amor, sofrimento, loucuras, mas também humor.
«O mais surpreendente é a comédia», acrescenta Pina. «Vais fazer [o público] rir muito!» São as suas palavras para Alonso, que irá dar vida a este artista mais uma vez, e encerram a sua “encenação” deste momento em que entrega o guião da série ao actor.
Já durante a apresentação da série em Madrid, é o actor quem revela o início do guião, personificando em palco o seu querido Andrés de Fonollosa. «Só há três coisas que podem converter um dia horrível, num dia incrível», começa o actor, encarnando Berlín na leitura. «A primeira é o amor. E na verdade esse não era o caso. A minha terceira mulher tinha acabado de me deixar… A segunda, é um espólio de mais de dez milhões de euros. Mas esse também não era o caso. Iríamos roubar o elo de ligação de um assalto muito maior. O de hoje era fácil.»
«Mas se estás a ter um dia mau, podes acabar o dia a levar um [indivíduo] miserável a ajoelhar-se, e apontar-lhe a arma à cabeça. », finaliza o actor, com um sorriso no rosto, enquanto o elenco que está em palco é recebido com um coro de palmas da plateia.
O bando de Berlín
Nesta história de amor e hedonismo, Berlín não está sozinho. Antes de se juntar ao seu irmão Sérgio – El Profesor -, como vimos em “La Casa de Papel”, Andrés de Fonollosa já era perito no mundo dos assaltos. Assim, e para dar uma pitada de sal a esta série, a personagem de Pedro Alonso estará acompanhada de cinco intrépidos que irão juntar-se a ele nesta viagem.
Depois de se encaminharem para as suas cadeiras, nesta apresentação da série, os actores e actrizes falam um a um acerca das personagens que irão interpretar neste bando de assaltantes.
É a actriz Michelle Jenner que dá início ao desvendar dos cinco acompanhantes de Berlín. Revela que vai interpretar Keila, uma engenheira informática especialista em cibersegurança. É programadora e considera-se o génio do grupo do ponto de vista do quociente da inteligência, mas isso prejudica-lhe a inteligência emocional, que irá certamente afectá-la nas suas relações.
Segue-se Roi, que irá ser interpretado pelo actor Julio Peña (já conhecido da Netflix como protagonista do filme “A Través de Mi Ventana”) e que se caracteriza como o fiel escudo de Berlín, ou Andrés, na história. Confia nele quase cegamente, porque Andrés o ajudou a sair de um passado muito obscuro.
Tristán Ulloa (“Warrior Nun”) apresenta Damían: um velho amigo do protagonista da série. Considera que a personagem é uma espécie de Grilo Falante (da história “Pinocchio”, Disney), que tem uma visão mais clássica e convencional do que é o amor.
Cameron é a personagem apresentada em seguida, que irá estar sob a responsabilidade da actriz Begoña Vargas (“Bienvenidos a Edén”). É, segundo as palavras da própria, uma mulher com um power incrível, quase uma montanha-russa. Decidiu juntar-se ao bando de assaltantes para se divertir e passar um bom bocado.
A última personagem que conhecemos é Bruce. Joel Sánchez é um actor estreante e irá dar vida ao despassarado do grupo, que também é muito dinâmico. Acredita no carpe-diem e na ideia de que o presente é para aproveitar; por isso é que se chama presente.
“Berlín” chega à Netflix em Dezembro
“Berlín” é, então, uma série que promete ser um misto de emoções ao rubro, com um elenco dinâmico e feita para matar saudades da personagem que conquistou os fãs de “La Casa de Papel”. A série já terminou a sua rodagem e encontra-se neste momento na fase de pós-produção.
Num recente anúncio da plataforma Netflix nas suas redes sociais, foi finalmente divulgado o mês de estreia da série para Dezembro de 2023. Ainda uma publicação nas stories do Instagram do actor Pedro Alonso confirma a chegada de “Berlín” ao pequeno ecrã no último mês do ano, o que resulta em 10 meses de longa espera até à chegada do apaixonado assaltante à plataforma de streaming.
As primeiras imagens da série já foram também divulgadas e podem ser vistas na galeria em baixo.