RTP dá “Erro 404”, uma série sem a «fórmula de sucesso normal»

Com Inês Aires Pereira no papel principal, esta aposta de Patrícia Sequeira junta ficção científica, comédia, drama e romance numa história sobre a felicidade.

  • Post author:Beatriz Caetano
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Inês Aires Pereira no papel de Rita em "Erro 404" | SANTA RITA FILMES

Se pudesses viver a vida de alguém durante uns minutos ou umas horas, aceitavas? É esta a premissa de “Erro 404”, a nova série a chegar aos ecrãs das televisões portuguesas através da RTP, que conta com Inês Aires Pereira no papel principal e Patrícia Sequeira (“Rabo de Peixe”, “Praxx”) ao leme da realização, assinando o argumento com Tota Alves e Guilherme Vital.

Rita é uma mulher assombrada pela tristeza, desinteressada pelo que a rodeia e por si própria. O desleixo tomou conta de si, tanto em casa como no trabalho, e é agora uma questão de tempo até cair num fosso sem retorno à normalidade. Mas tudo muda quando descobre uma aplicação que lhe permite viver a vida de outras pessoas durante algum tempo. Com a Appy, Rita pode ser Filipa, prestes a ser mãe, ou Benedita, adepta de raves – momento em que esta app dá o primeiro erro.

Ao longo de oito episódios, a protagonista vai viver peripécias onde a ficção científica se cruza com a comédia, o drama e também o romance. Para a apoiar estão lá os amigos e colegas da agência de publicidade onde trabalha: Cindy (Ana Valentim) e Fábio (Rui Maria Pêgo). Cindy conhece Rita de trás para a frente desde a faculdade e há algo que ambas prometeram – nunca usar leggins sem ser ao domingo e em casa. Rita está a falhar nessa promessa, portanto a sua amiga tem de a chamar à realidade, e com razão.

E se Cindy é a voz do bom-senso, Fábio, por sua vez, tenta chegar à amiga através das suas próprias experiências com o luto, mas sempre de forma over-dramatic. Ambos, a par de outras personagens que se vão cruzando com Rita, acabam por ser o seu mundo real quando esta se perde numa versão alternativa da realidade. Com isto em mente, Rui Maria Pêgo, sugere que “Erro 404” é um convite para os espectadores examinarem a sua vida e perceberem do que estão a tentar escapar sempre com um telemóvel na mão.

inês aires pereira e rui maria pêgo em erro 404, série da rtp
Inês Aires Pereira (Rita) e Rui Maria Pêgo (Fábio) | SANTA RITA FILMES

Todas as formas que a vida de Rita pode dar “Erro 404”

Simão é um tipo rico, herdeiro do negócio de família, que calha na roleta de opções aleatórias da app de Rita. E quando se toma conta da vida de alguém com bens financeiros, faz-se o quê? Tira-se partido, claro. Pelo menos na perspectiva de Rita. Para Carlos Pereira, que dá vida a esta personagem, não só foi um desafio dar vida a alguém distante do seu eu como interpretar também a personagem de Inês Aires Pereira. Para ajudar no processo serviram os ensaios, onde o actor trabalhou os maneirismos da actriz e a sua forma de interpretar Rita.

Da prestes a ser mãe Filipa à hardcore party girl Benedita ou ao ricalhaço Simão, experiências diferentes não faltam a Rita, que procura incessantemente alguma forma de felicidade ao mesmo tempo que foge daquilo que tem receio de confrontar. Sorte ou azar, vai calhar na roleta da Appy uma cantora famosa, de seu nome Marisa Liz. Sim, a Marisa Liz, não uma versão inventada para a série. Rita dá por si prestes a subir a palco sem saber afinar uma única nota e quem está à volta da cantora não percebe o que se passa. Qual é o problema com o outfit ou o repentino medo das luzes da ribalta?

marisa liz na série erro 404 da rtp
Marisa Liz | SANTA RITA FILMES

É para ajudar que entra em cena a personagem de Sara Carinhas, a manager do fenómeno musical, como uma espécie de bóia de salvação. A actriz foi uma das pessoas a trabalhar de perto com Marisa Liz nesta sua estreia ficcional e salienta como o episódio que conta esta história em particular demonstra como a série se apoia nas relações entre mulheres e na força que podem dar umas às outras.

Uma ideia em construção desde 2018, “Erro 404” é uma série «sem a fórmula de sucesso normal – não tem crime, não tem droga, não tem aos três minutos aquele acontecimento chave, não tem os actores de sempre», diz Patrícia Sequeira, no evento de apresentação. E não tendo essa fórmula, tem outra, a da felicidade. «É nessa busca louca de tentar ser feliz e pensar que a vida dos outros é melhor», que surge a aplicação Appy no papel de «armadilha invisível». Portanto, a criadora faz um pedido: «Não vejam esta série com os olhos de sempre.»