“Refúgio do Medo”: nova aposta da RTP é um thriller gélido com a Islândia como personagem principal

Os oito episódios da série já podem ser vistos de rajada na RTP Play.

  • Post author:Beatriz Caetano
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"Refúgio do Medo" | SPI

A RTP estreia hoje, 29 de Janeiro, às 22h30, na RTP1, a série “Refúgio do Medo”, um thriller intenso que cruza mistério, trauma e drama psicológico, numa co-produção luso-islandesa que promete marcar a ficção nacional. A série ficará igualmente disponível, na íntegra, na RTP Play.

Protagonizada por Maria João Bastos, Catarina Rebelo e Ivo Canelas, “Refúgio do Medo” transporta o espectador para Vestmannaeyjar, uma remota ilha da Islândia, onde Maria, uma mulher portuguesa marcada por um passado de violência doméstica e segredos profundos, tenta reconstruir a vida ao lado da filha adolescente, Bela. Contudo, seis meses após a sua chegada, Maria é encontrada morta. O crime abala a pequena comunidade e dá início a uma investigação conduzida pela detective islandesa Soffía, que, ao procurar a verdade, acaba também por enfrentar os seus próprios fantasmas.

Na antestreia, José Fragoso, director de Programas da RTP, sublinhou a dimensão e a ambição do projecto, recordando que o processo de desenvolvimento se estendeu por quase quatro anos, desde o momento em que a série foi decidida entre a RTP e a SP Internacional. O responsável destacou ainda o impacto do resultado final, considerando que se trata de uma produção que «distingue claramente a ficção portuguesa e islandesa».

Antes de chegar à RTP, “Refúgio do Medo” estreou na plataforma islandesa Zimin, na qual tem sido um sucesso. Segundo José Fragoso, a série está há oito semanas consecutivas no primeiro lugar das mais vistas na Islândia, desde a sua estreia, há cerca de dois meses. O director de Programas adiantou ainda que, além da exibição em Portugal e na Islândia, o objectivo passa por levar a série a outras plataformas e canais internacionais, reforçando a circulação da ficção nacional além-fronteiras.

Realizada por Arnór Pálmi Arnarson e Tiago Alvarez Marques, a série foi maioritariamente filmada na Islândia. O realizador islandês descreve a rodagem ao TV Contraluz como particularmente exigente, marcada por dias longos, mau tempo e condições climatéricas adversas. A maior parte das filmagens decorreu em território islandês – cerca de cinquenta dias -, contra apenas dez em Portugal. Arnór Pálmi Arnarson explica ainda que os guiões foram desenvolvidos em colaboração entre argumentistas portugueses e islandeses, num processo criativo feito integralmente em inglês, sendo despois traduzidos para português e islandês.

Para Maria João Bastos, a experiência foi simultaneamente dura e enriquecedora. A actriz sublinha o impacto positivo do intercâmbio entre equipas, referindo que trabalhar com profissionais islandeses, altamente organizados e preparados para filmar no frio, foi «uma experiência muito positiva». Destaca também o papel dramático da paisagem: o frio, o vento e a geografia extrema ajudaram a criar a atmosfera da narrativa, ao ponto de a Islândia se afirmar como «uma personagem» da própria série.

Apesar de a sua personagem morrer no início da história, Maria João Bastos atravessa toda a narrativa através de flashbacks. Segundo a actriz, a série vai desvendando não só as circunstâncias da morte, mas também as razões que levaram Maria a fugir para a Islândia, revelando progressivamente o passado vivido em Portugal. O suspense é reforçado pela construção dos episódios, cada um apresentando novos suspeitos e reviravoltas constantes.

Catarina Rebelo, que interpreta Bela, confessa as dificuldades físicas das filmagens nas Westman Islands, destacando o vento intenso e as mudanças bruscas de tempo. A actriz descreve dias em que se sucediam chuva, neve, sol e tempestade em poucos minutos, o que tornou o trabalho particularmente desafiante, apesar dos cuidados constantes da produção.

Também João Villas-Boas, que integra o elenco português, fala do realismo presente em algumas localizações, nomeadamente a fábrica onde foram gravadas várias cenas, um espaço em pleno funcionamento, marcado pelo cheiro do peixe que ali é embalado. O actor deixa ainda no ar a possibilidade de uma continuação, defendendo que a história abre caminho para uma eventual segunda temporada.

Com um enredo que cruza imigração, violência, identidade e culpa, “Refúgio do Medo” afirma-se como uma aposta da RTP na internacionalização da ficção portuguesa e num thriller de atmosfera densa, onde o frio, o isolamento e os segredos são parte essencial da narrativa.

“Refúgio do Medo” pode ser vista semanalmente na RTP1 ou de uma só vez na RTP Play.